Com versos fortes como “Eu tenho sangue ruim, eu resolvo sozinha. Tenho a cor do pecado, do pé na cozinha”, a rapper Ebony abre a edição de KM2 (De Luxo), versão expandida e mais conceitual do álbum lançado em maio passado. A faixa de abertura, “Sangue Ruim”, já sinaliza os temas raciais que atravessam todo o projeto, trazendo rimas que não hesitam em tocar em feridas profundas.
Essa escolha para iniciar o disco reflete um novo momento da artista: mais segura de sua arte e disposta a expor até o que lhe é mais íntimo. Ebony conta que sempre escreveu poesias e roteiros, mas só recentemente encontrou coragem para compartilhar esse lado. O impulso veio da realidade marcada por casos de feminicídio, especialmente contra mulheres negras, que transformaram suas palavras em uma forma de resistência.
O álbum reúne sete novas faixas, além das já conhecidas da primeira versão e do single “Dona de Casa”. Musicalmente, segue a estética plural da artista, passando por funk, bass, drum, MPB e rap, e inclui momentos de reflexão como a faixa dedicada a Sojourner Truth, ativista negra do século XIX que inspirou Ebony a reivindicar seu espaço.
Entre as novidades, “Rimo em qualquer batida” traz uma alegoria que compara o universo militar ao mundo infantil, enquanto “Baddie Radio” e “Chefe” encerram o disco com afirmação e autoestima, celebrando a ascensão de uma jovem negra que reconhece seu valor.
Visualmente, a capa assinada por Hester Landim reforça o conceito: com paleta fria e detalhes em vermelho, cria um clima de tensão silenciosa, simbolizando memória e dor. Ebony aparece adulta pintando a si mesma criança, metáfora para o amadurecimento que o novo trabalho representa.
Para a artista, KM2 (De Luxo) é mais que uma continuação — é uma obra polida, finalizada, que convida especialmente mulheres negras a se reconhecerem em sua música, gestos e dedicação.
Confira:





