A trajetória de Emicida sempre esteve ligada à construção de pontes dentro do hip hop brasileiro, conectando gerações, territórios e diferentes visões de mundo. Essa ideia ganha forma no próximo sábado (16 de maio), quando o rapper sobe ao palco do Vivo Rio em um encontro que reúne nomes centrais de diferentes fases do rap nacional.
No espetáculo, Emicida recebe Projota e Rashid, parceiros de longa data que, junto a ele, formaram o movimento conhecido como “Os Três Temores”, símbolo da retomada do rap nos anos 2010. A apresentação também contará com a participação de Borges, representante da nova cena carioca.
Apesar da proximidade de quase duas décadas, o trio havia lançado apenas duas músicas juntos até recentemente. O reencontro artístico se consolidou no álbum Emicida Racional VL 2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores (2025), que inclui a faixa “A mema praça”, inspirada no histórico show dos Racionais MC’s na Praça da Sé, em 2007 — episódio marcado pela violência policial e retratado pela imprensa como “confusão” e “cena de guerra”.
Esse contexto, somado à morte de Sabotage, marcou um período sensível para o rap brasileiro e reforça a importância da geração dos Três Temores na consolidação do gênero. Em contraste, o presente se amplia com a presença de Borges, revelado nas batalhas de rima da Pavuna e projetado nacionalmente com músicas como “AK do Flamengo” e “iPhone Branco”.
O show integra a “Emicida Racional MCMV Tour”, realizada pela 30e, apresentada pelo Itaú Live e concebida pela Cecropia. Os últimos ingressos estão disponíveis pela Eventim.
Nos bastidores, Rashid destacou a emoção pelo retorno de Emicida aos palcos: “Meu irmão está voltando depois de muito tempo. Como fã, também esperei por isso. Dividir o palco com esses caras que me ensinaram tanto é sempre especial.”
Projota reforçou a sintonia do trio: “Nunca fomos um grupo, mas sempre pareceu ensaiado. A forma como trocamos de lugar no palco e fazemos as dobras nas rimas sempre teve respeito e generosidade. Quando junta, não tem explicação. É o Capitão Planeta [risos].”
Já Emicida descreveu o momento como um retorno às origens: “Esse encontro com Rashid e Projota é a fotografia perfeita dessa atmosfera. No Rio, ainda teremos Borges, que me impressionou pelo talento e pela forma respeitosa de construir essa ponte entre gerações.”
No repertório, o rapper revisita diferentes fases da carreira, de Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida, Até que Eu Cheguei Longe… (2009) a AmarElo (2019), além de faixas como “Finado Neguim Memo?” e “Us Memo Preto Zica”.
Com direção musical do próprio Emicida, produção de Fejuca e coprodução de Damien Seth, a turnê conecta passado e presente. Após o Rio, a agenda segue para o Igloo Super Hall (27 de junho), Auditório Araújo Vianna (4 de julho) e BeFly Hall (5 de setembro).






