Filho da Bruxa lança single “Punk”, e fala com exclusividade sobre novo álbum

Filho da Bruxa lança single “Punk”, e fala com exclusividade sobre novo álbum - Canal RapRJ
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O rapper de Uberlândia – MG, Filho da Bruxa, lançou neste dia 21 de agosto o seu novo single “PUNK“, que fará parte do seu álbum “Udistock“, que é bastante criativo ao unir o icônico festival e a abreviação da cidade de onde é cria.

A faixa que é curta, serve como intro (e talvez realmente será) deste projeto que sairá ainda este ano. Em cima de um belo instrumental de boombap assinado pelo Tio Rico, Filho da Bruxa trouxe o seu lado mais lírico ao usar fonêmas e palavras não usuais. Se o projeto seguir a linha da faixa, com certeza será um álbum de muito conteúdo e conceito.

O single veio acompanhado de um videoclipe dirigido por Deivide Mikos e roteirizado pelo próprio Filho da Bruxa, retrata majoritariamente o músico dentro do estúdio, com pontuais cenas com atores contracenando.

Conversamos com o rapper sobre o projeto e curiosidades. Confira:

Vitor Canal RapRJ: Gostei do nome do projeto fazendo uma relação a sua cidade e o icônico festival. Como você vê a cena de Uberlândia? Podemos esperar participações neste projeto de artistas da cidade?

Filho da Bruxa: De fato, eu quis fazer um trocadilho com a referência ao icônico festival Woodstock, mas por trás do nome existe uma ideologia. “Udi” vem de Uberlândia e “Stock”, em português, significa “estoque”. Então, a ideia do álbum é justamente essa: o produto da cidade está no estoque. Ele existe, está disponível, mas não está sendo vendido, continua parado ali.

Depois de uma década atuando na cena artística da minha cidade, percebi que grande parte dos artistas acaba se propondo a mudar para São Paulo em busca de mais oportunidades e para conseguir alcançar seus objetivos. Uberlândia é uma cidade grande, com muitos artistas e uma produção cultural muito forte, mas ainda não dá à arte e à cultura local a atenção que elas merecem.

Então, o conceito de UdiStock também fala sobre isso: algo que não sai do estoque. O produto existe, mas ninguém quer consumir, muitas vezes por falta de atenção e de investimento. Quantos artistas já foram subestimados e, mesmo assim, conseguiram fazer o mundo girar?

Eu acredito que UdiStock tem um grande potencial para colocar Uberlândia no radar do rap nacional e mostrar a força artística que existe na cidade.

A produção do álbum é independente e estou contando com dois produtores de Uberlândia: Yollirum e DJ Tio Rico. Para este projeto, busquei também participações de artistas de fora da cidade. Posso adiantar que o álbum conta com feats de São Paulo, Uberaba e Recife.

Vitor Canal RapRJ: O projeto vem com esta estética de punk? Boombap bem lírico? Ou vem diversificado?

Filho da Bruxa
: Como o bordão que será bastante citado no projeto, “Tô sentindo um clima meio punk”, não significa que eu vou abandonar o rap para fazer um estilo mais punk rock.

De toda forma, o sentimento do álbum é, sim, muito punk. É sobre coragem, atitude e não ter medo de se posicionar. O projeto não será composto somente por boom bap, mas essa continua sendo uma das minhas bases. O que pode esperar de UdiStock é uma sonoridade mais agressiva e uma energia muito mais revoltada e diversidade sonora.

Vitor Canal RapRJ: Qual a diferença deste novo álbum comparando com o último “Terceiro Testamento”?

Filho da Bruxa: Essa é uma questão que eu converso bastante com meus amigos que acompanham de perto todos os meus projetos. Eu não consigo comparar os dois álbuns, porque Terceiro Testamento foi um trabalho muito pessoal para mim.

Já aconteceu, por exemplo, de pessoas chegarem até mim dizendo que escutam o álbum inteiro e choram. Terceiro Testamento carrega ideias, sentimentos e experiências muito pessoais.

UdiStock parte de outro lugar. É um álbum de revolta contra tudo e contra todos. É agressividade, indignação, coragem e posicionamento. É sobre ser punk nesse sentido: não ter medo de incomodar, questionar e falar o que precisa ser dito.

Vitor Canal RapRJ: Você é um dos organizadores da “Batalha da ZO”, conte-nos um pouco de seu lado de produtor cultural. Como este lado influencia na sua arte e posicionamento como artista?

Filho da Bruxa: Este ano completamos 11 anos de Batalha da Z.O. Nos últimos tempos, diminuímos um pouco a frequência das atividades por falta de verba, mas continuamos buscando alternativas, inclusive por meio de leis de incentivo, para dar continuidade a esse evento que considero histórico para a nossa cidade.

A Zona Oeste me ensinou tudo o que eu sei. A Batalha da Z.O me ensinou a não ter medo de dizer para o mundo aquilo que eu sentia e pensava. Por isso, tenho uma gratidão eterna pela Zona Oeste, pela Batalha da Z.O, pelo Bruno Silva e por todas as pessoas que sempre me apoiaram nessa caminhada.

Ser produtor cultural também influencia diretamente a minha arte. Eu entendo na prática as dificuldades que existem para manter um projeto cultural vivo, principalmente quando falta investimento. Dinheiro abre muitas portas, e essa ainda é uma das principais dificuldades que enfrento: a falta de verba para fazer grandes investimentos tanto na minha carreira quanto na Batalha da Z.O.

Mesmo assim, continuamos fazendo acontecer com os recursos que temos, porque acredito que a cultura da nossa cidade merece esse espaço.

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